Ouvindo o bispo Robinson Cavalcanti, percebi que violência não é simplesmente agressão sem fundamento ou reflexos de uma cidade sem leis. Antes disso, é pautada na ânsia de obter poder aquisitivo para consumir o que a mídia e a sociedade de consumo propõem. Não vemos isso claramente porque estamos sufocados com a tarefa de condenar aquele que rouba ou de matar aqueles que traficam.
Essa escala por mais simplória que seja rege os pensamentos de ricos e pobres que se deparam com a impossibilidade de adquirir artigos que vão desde um tênis da moda até o mais novo lançamento imobiliário. Essa variação é construída pela falta de oportunidade, pela necessidade de comer ou então pelo simples fato de estar adquirindo o carro que ninguém tem ou morar em um triplex porque a cobertura em Ipanema não tem mais graça. Para os pobres uma questão de sobrevivência, para os ricos uma resposta que satisfaça o status quo.
Responda-me, por favor, qual a chance de um desses meninos que estão nas favelas sendo adotados por traficantes e servindo de mulas para o transporte de drogas? Qual é a chance que um jovem de periferia tem de viver uma vida razoável quando o simples fato de sair e chegar em casa ileso já é um milagre?
Porque os pobres roubam? Sem eximir culpa de quem rouba devo dizer que eles roubam porque não tem emprego, porque as portas da sociedade estão fechadas pra ele. Ele rouba porque não tem endereço e ninguém se importa, ele rouba porque as madrugadas tem sido frias e eles precisam sobreviver a isso também.
Porque os ricos roubam? Para calar a boca daquele camarada que é tão rico quanto ele e que comprou no jantar de ontem uma belíssima garrafa de champagne Moët Chandon para mostrar aos demais que subiu na vida.
Erramos porque colocamos a culpa de todas as coisas ruins da sociedade nas favelas, mas os favelados são peixinhos pequenos, e enquanto eles matam e morrem para divulgar a mais nova droga do mercado, os tubarões estão em suas mansões gastando seu dinheiro sujo com orgias e comemorando o sucesso dos guris que mal completaram o jardim mas agora estão ajudando na árdua tarefa de manter a ordem no morro.
Ou a igreja entra na luta como comunidade de fé, expandindo a missão integral ou ela está fadada a mofar no triste universo em que vive.
E no mais, tudo na mais santa paz!
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7 comentários:
Daqui pra frente só posta quem se identificar, os anônimos serão moderados. Quem quiser expressar opinião tem que bancar e mostrar a cara. Outra coisa, você tem o direito de se expressar, mas se houver agressão, o comentário será deletado.